Triste Horizonte
Carlos Drummond de Andrade
Não voltarei para ver o que não merece ser visto
O que merece ser esquecido, se revogado não pode ser
Não o passado cor-de-cores fantásticas
Cidade aberta aos estudantes do mundo inteiro, inclusive Alagoas,
'maravilha de milhares de brilhos vidrilhos'
mariodeandramente celebrada.
Não Mário, Belo Horizonte não era uma tolice como as outras.
Era uma província saudável, de carnes leves pesseguíneas.
Era um remanso, era um remanso
para fugir às partes agitadas do Brasil,
sorrindo do Rio de Janeiro e de São Paulo: tão prafentex, as duas!
e nós lá: macio-amesendados
na calma e na verde brisa irônica…
(…)
sossega, minha saudade.
Não me cicies outra vez o impróprio convite.
Não quero mais, não quero ver-te
meu Triste Horizonte e destroçado amor.
14/08/1976
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